Conta-mEncanto, Solstício de Orfeu 2007, Espaço d'Orfeu - Águeda
Confidências - Almada Negreiros
Eu tenho um anjo - António Variações
Contado por Conta-mEncanto 1 cantos
Hálitos de lilás, de violeta e d’opala,
Roxas macerações de dor e d’agonia,
O campo, anoitecendo e adormecendo, exala...
Triste, canta uma voz na síncope do dia
Alguém de mim se não lembra
Nas terras d’além do mar...
Ó Morte, dava-te a vida,
Se tu lha fosses levar!...
Ó Morte, dava-te a vida,
Se tu lha fosses levar!...
Com o beijo do Sol na face cadavérica,
Beijo que a morte esvai em palidez algente,
Eis a Lua a boiar sonâmbula e quimérica...
Doce, canta uma voz melancolicamente
O meu amor escondi-o
Numa cova ao pé do mar...
Morre o amor, vive a saudade...
Morre o Sol, olha o luar!...
Morre o amor, vive a saudade...
Morre o Sol, olha o luar!...
Latescente a neblina opálica flutua,
Diluindo, evaporando os montes de granito
Em colossos de sonho, extasiados de Lua...
Flébil, chora uma voz no letargo infinito
Quem dá ais, ó rouxinol,
Lá para as bandas do mar?...
É o meu amor que na cova
Leva as noites a chorar!...
É o meu amor que na cova
Leva as noites a chorar!...
A Lua enorme, a Lua argêntea, a Lua calma,
Imponderalizou a natureza inteira,
Descondensou-a em fluido e embebeceu-a em alma...
Triste expira uma voz na canção derradeira
Ó meu amor, dorme, dorme
Na areia fina do mar.
Que em antes da estrela d’alva
Contigo me irei deitar!...
Que em antes da estrela d’alva
Contigo me irei deitar!...
Guerra Junqueiro "Canção perdida"
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Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
Pablo Neruda "Posso escrever os versos mais tristes esta noite"
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Conta-mEncanto, Solstício de Orfeu, 22-06-2007
Viajamos na escuridão, saltando de estrela em estrela, poisando o pé ora aqui ora acolá. De peito cheio. Sem medo. Junto dos amigos nunca se tem medo. Foi assim que nos sentimos!
Foi para nós um Solstício de dentro para fora. De dentro das palavras, da voz, da música e das imagens, para fora... Para a noite que se nos apresentou como uma explosão de emoções.
Contado por Conta-mEncanto 1 cantos
Conta-mEncanto dia 22 de Junho, no espaço d'Orfeu em Águeda, inserido no Solstício de Orfeu 2007.
Contado por Conta-mEncanto 3 cantos
Conta-mEncanto são...Ana Leitão [Voz]
Bruno Pinho [Guitarra]
Carlos Ferreira [Imagem]
Marlene Ribeiro [Flauta transversal]
Raquel Ribeiro [Voz]



